PrEP injetável: quem pode usar?

A PrEP injetável de longa duração é uma estratégia para prevenir o HIV sem depender de um comprimido diário. Pode ser uma alternativa para pessoas sem HIV que apresentam possibilidade de exposição ao vírus (como ter relações sem preservativo)  e que atendam aos critérios do medicamento escolhido. Existem opções com intervalos diferentes entre aplicações, e a indicação precisa ser individualizada. Antes de iniciar, é fundamental confirmar que a pessoa não tem HIV. (Serviços e Informações do Brasil)

O que é a PrEP injetável?

PrEP significa profilaxia pré-exposição ao HIV. Ou seja, é uma prevenção utilizada antes de uma possível exposição ao vírus.

A diferença é que, em vez de depender exclusivamente da tomada frequente de comprimidos, medicamentos de longa duração permanecem ativos no organismo por períodos maiores.

Isso pode facilitar a prevenção para quem tem dificuldade em manter uma rotina diária ou simplesmente prefere uma opção com aplicações mais espaçadas.

👉 A PrEP injetável previne HIV. Ela não funciona como tratamento de uma infecção já adquirida e não protege contra todas as outras ISTs.

Quais tipos de PrEP injetável existem?

Atualmente, duas opções de longa duração merecem destaque: cabotegravir (CAB) e lenacapavir (LEN).

O cabotegravir é administrado por injeção intramuscular. Após as aplicações iniciais, o esquema de manutenção é feito a cada dois meses. Recomendado como opção de PrEP para adultos e adolescentes com pelo menos 35 kg e possibilidade de infecção pelo HIV. (CDC)

Já o lenacapavir é administrado por via subcutânea e permite aplicações a cada seis meses, após o esquema de início. Em 2025, a Anvisa aprovou sua indicação como PrEP para adultos e adolescentes a partir de 12 anos e com pelo menos 35 kg que apresentam risco de adquirir HIV-1 por via sexual. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto:

Cabotegravir → manutenção a cada 2 meses
Lenacapavir → manutenção a cada 6 meses

A escolha não deve ser feita apenas pela frequência das aplicações. Disponibilidade, indicação, condições clínicas e acompanhamento também precisam ser considerados.

Quem pode usar PrEP injetável de longa duração?

De forma geral, a PrEP é destinada a pessoas sem HIV que possam se beneficiar de proteção adicional contra a aquisição do vírus.

Situações que podem levar à avaliação de PrEP incluem, por exemplo:

  • relações sexuais sem preservativo;
  • histórico recente de IST;
  • necessidade repetida de PEP;
  • dificuldade de usar ou negociar preservativo;
  • outros contextos de exposição ao HIV.

No entanto, os critérios específicos dependem do medicamento utilizado.

PrEP injetável pode ser usada por mulheres?

Sim. PrEP injetável não é uma estratégia exclusiva para homens.

Isso é particularmente importante porque algumas pessoas ainda associam PrEP apenas a homens gays e bissexuais, o que não corresponde às possibilidades atuais de prevenção.

Os estudos que fundamentaram a aprovação brasileira do lenacapavir incluíram mulheres cisgênero, além de homens cisgênero e pessoas de gênero diverso. No PURPOSE 1, realizado entre mulheres cisgênero, o lenacapavir apresentou 100% de eficácia na redução da incidência de HIV em relação à incidência de base estimada no estudo. (Serviços e Informações do Brasil)

A indicação individual, porém, precisa considerar o medicamento específico e as características clínicas de cada pessoa.

Para quem a PrEP injetável pode ser especialmente interessante?

Uma das maiores vantagens é diminuir a dependência da adesão diária a comprimidos.

Por isso, pode ser particularmente interessante para pessoas que:

  • esquecem comprimidos com frequência;
  • têm dificuldade em manter PrEP oral de maneira consistente;
  • preferem maior discrição;
  • não querem organizar a prevenção em torno da tomada diária;
  • preferem aplicações periódicas;
  • apresentam situações clínicas nas quais determinada opção oral não seja adequada.

No caso do cabotegravir, pessoas que têm dificuldade de adesão à PrEP oral, preferem injeções bimestrais ou apresentam doença renal importante que limita determinadas opções orais podem ser candidatas ao uso. 

👉 Benefício prático: em vez de lembrar da prevenção todos os dias, a pessoa passa a seguir um calendário programado de aplicações.

Isso não elimina a necessidade de acompanhamento.

Preciso fazer teste de HIV antes da PrEP injetável?

Sim. Esse é um ponto fundamental.

É necessário excluir infecção pelo HIV antes de iniciar a PrEP e manter testagem durante o acompanhamento.

Começar determinados medicamentos de PrEP em uma pessoa que já tenha HIV sem diagnóstico pode favorecer o desenvolvimento de resistência aos antirretrovirais.

No caso do lenacapavir, a própria indicação aprovada pela Anvisa exige teste negativo para HIV-1 antes do início. (Serviços e Informações do Brasil)

Por isso, PrEP injetável não deve ser vista simplesmente como “tomar uma injeção de tempos em tempos”. ë necessário seguir  um protocolo de acompanhamento médico.

O que acontece se  atrasar uma aplicação?

Esse é um dos principais cuidados com a PrEP de longa duração.

Embora não exista comprimido diário, as datas das aplicações precisam ser respeitadas.

Quando uma aplicação é atrasada ou a estratégia é interrompida, o nível do medicamento no organismo diminui progressivamente. Dependendo da situação, pode ser necessário utilizar outra estratégia de PrEP durante esse período.

No lenacapavir, por exemplo, a Anvisa alerta para o risco potencial de aquisição do HIV e desenvolvimento de resistência após a interrupção caso a pessoa continue apresentando indicação para PrEP e não utilize uma alternativa. (Serviços e Informações do Brasil)

👉 Portanto, “longa duração” não significa “posso esquecer o acompanhamento”.

A PrEP injetável protege contra outras ISTs?

Não.

Ela é direcionada à prevenção do HIV.

Não substitui estratégias de prevenção para:

  • sífilis;
  • gonorreia;
  • clamídia;
  • HPV;
  • herpes;
  • hepatites virais.

Por isso, o acompanhamento deve fazer parte de uma estratégia de prevenção combinada, que pode incluir testagem periódica, preservativos, vacinação e outras medidas conforme o perfil individual.

PrEP injetável já está disponível no SUS?

Aqui é importante separar aprovação regulatória de incorporação ao SUS.

Em julho de 2026, o Ministério da Saúde informou que a incorporação de uma PrEP injetável administrada a cada dois meses foi encaminhada à Conitec para avaliação em agosto. Portanto, aprovação ou existência da tecnologia não significa automaticamente disponibilidade rotineira no SUS. (Serviços e Informações do Brasil)

O lenacapavir foi aprovado pela  Anvisa, em 2025, com a indicação para PrEP com administração semestral. A própria Anvisa esclareceu que sua disponibilização pelo SUS depende de avaliação da Conitec e aprovação pelo Ministério da Saúde. (Serviços e Informações do Brasil)

Já a PrEP oral permanece disponível no SUS conforme os critérios do Ministério da Saúde. (Serviços e Informações do Brasil)

PrEP injetável é melhor que PrEP oral?

Não existe uma resposta única.

Para uma pessoa que toma a PrEP oral corretamente e está satisfeita, trocar para a modalidade injetável não é automaticamente necessário.

Para outra pessoa que esquece comprimidos frequentemente, uma opção de longa duração pode facilitar muito a adesão.

A pergunta mais útil é:

“Qual estratégia consigo manter corretamente e se adapta melhor à minha vida?”

Essa decisão deve considerar eficácia, preferência, frequência das aplicações, disponibilidade, condições clínicas e capacidade de manter acompanhamento.

Mini FAQ

  1. PrEP injetável previne HIV?
    Sim. É uma estratégia de profilaxia pré-exposição desenvolvida para reduzir o risco de aquisição do HIV. (Serviços e Informações do Brasil)
  2. PrEP injetável pode ser usada por mulheres?
    Sim. Existem opções de longa duração estudadas e indicadas para prevenção do HIV em mulheres, conforme critérios específicos de cada medicamento. (Serviços e Informações do Brasil)
  3. Preciso fazer teste de HIV antes da aplicação?
    Sim. É fundamental confirmar que não existe infecção pelo HIV antes de iniciar e manter testagem durante o acompanhamento. (Serviços e Informações do Brasil)
  4. A PrEP injetável substitui o presrvativo?
    Ela oferece proteção contra o HIV, mas não protege contra todas as outras ISTs. A estratégia de prevenção deve ser individualizada.
  5. Existe PrEP que dura seis meses?
    Sim. O lenacapavir para PrEP utiliza aplicações subcutâneas semestrais após o esquema inicial e recebeu aprovação da Anvisa para essa indicação em 2025. (Serviços e Informações do Brasil)

Conclusão

A PrEP injetável de longa duração amplia as possibilidades de prevenção do HIV, especialmente para quem prefere não depender de um comprimido diário. Hoje existem estratégias com intervalos diferentes, incluindo cabotegravir bimestral e lenacapavir semestral, mas indicação e disponibilidade não são iguais para todos os medicamentos. (Serviços e Informações do Brasil)

Se você já usa PrEP ou está pensando em começar, converse com um infectologista para avaliar qual modalidade faz sentido para seu perfil, quais exames são necessários e quais opções estão efetivamente disponíveis no Brasil.

Fontes: Ministério da Saúde — PrEP e prevenção combinada; Anvisa — lenacapavir para PrEP; CDC — Injectable HIV PrEP. (Serviços e Informações do Brasil)

Atualizado em: agosto/2026